Francisco Graciano
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Francisco Graciano

Francisco Graciano Cardoso (1965) nasceu em Juazeiro do Norte, é o caçula de sete irmãos, filho de Manuel Graciano, um reconhecido artista popular do Cariri.

Não estudou, conta que ouvia do pai, quando dizia que queria ir pra escola, que “não se come estudo”.

Suas primeiras peças foram dois bonecos, um casal de velhos. Pediu para que seu irmão levasse as peças para seu pai, para que fossem levadas ao Centro de Cultura Popular Mestre Noza, para ver se seu trabalho era bom. Chegaram boas notícias, pois contaram que o trabalho tinha futuro e compraram os bonecos. Junto às boas novas, chegou o primeiro dinheiro.

Conta que até os 16 anos tinha vergonha de trabalhar com a arte, pois achava que não conseguiria achar namorada “pinicando pau”. Tinha o desejo de formar um museu em seu ateliê e o transformou em um centro cultural, onde são realizados cursos e vivências em parceria com outras instituições, como a prefeitura da cidade. O lugar tem uma decoração que faz referências às tradições populares e culturais da região. Na região de Brejo Santo é conhecido como “Mozinho dos Bonecos”.

Em 2021, Paulo Gondim publicou o cordel “Um artista no sertão”, que conta a história de sua vida. 

Cria esculturas em madeira seguindo a linha do pai: entalha principalmente figuras humanas e animais com características “imaginárias”, fantásticas. Também produz, assim como Manuel, lagartos, cachorros e animais com uma bocarra entreaberta repleta de dentes pontudos e branco, que, de acordo com o pai do artista, não estão bravos, mas sorrindo.

Não gosta que as pessoas peçam para ele fazer coisas determinadas, gosta mesmo de criar mesmo o que lhe vem à cabeça. Cria peças inspiradas na natureza, principalmente animais, mas sem compromisso com o realismo. As obras vêm de sua imaginação, ou do imaginário.

Francisco, assim como seu pai Manuel, utiliza com frequência as palavras “imaginário” ou “imaginação” para descrever a inspiração de seu trabalho. Já disse que ouve vozes, que lhe sopram nos ouvidos, o que ele deve fazer. Outras vezes conta que a própria madeira bruta já tem em si mesma a forma que ela deve ter, guiando suas mãos para o entalhe. Consegue ver na sua “imaginação, como se fosse um filme ou um desenho, algo que está ali pronto”.

Além das esculturas, Francisco pinta telas de grandes dimensões. Coloridas, com cenas complexas e repletas de personagens, encaixam-se em uma estética geralmente chamada pelos críticos como “naif”. Começou a pintar por incentivo de Titus Riedl, professor da Universidade Regional do Crato que frequenta o Centro de Cultura Popular Mestre Noza. Graciano não usa mesa ou cavalete, costuma pintar o tecido estendido diretamente no chão.

    ACERVO

    Francisco Graciano
    Sem Título
    Francisco Graciano
    Sem Título

    Escultura em madeira maciça policromada
    90 x 27 x 28 cm